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terça-feira, 22 de novembro de 2011

AMOR PARADOXAL.




Nunca soube, até hoje, o que seria o amor,
Arde em mim, ver memórias, ver passar
– E eu não sabia até passar – quão sorte má,
Ao me deixar nu comigo, no espalho olhar.

Muitos acham que é preciso ser maduro,
Mas o amor é infantil mesmo, seguro de si,
Ao ponto mesmo de nascer e ver tudo
À sua frente, depois de breve noite no escuro.

Mas, tudo passa, passa por mim, por nós,
Ao meu lado, longe de mim... Apenas só
E, quando tudo parece vantagem, faz-se nó,
Cego, duro de desatar – se conseguir é só isso!

Dificilmente encontrará outro tão firme,
Pode haver paixão. Como num conto, num filme
Qualquer que seja, haverá seu fim, não mais se atinge
Aquele apogeu, é fraco demais para isso, assim finge.

Prefere-se negar, a si e ao amor, por parecer fraco,
Deixa enrijecer seu coração, mesmo por dentro frágil,
Faz do escudo proteção, enquanto a água é mais ágil,
Fluxo errante de vida, frente à rigidez insólita e inábil.

É doce e é dor, também, é bom e é ruim, é flor e é espinho...
Por isso o grande número dos que fogem, por isso raro,
Por isso tão valioso. Vive agora nos interstícios do mundo;
É tão importante, e há de surgir de novo para todos os olhos.

Luis Sátiro 24 Mai. 2011.


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