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quinta-feira, 29 de março de 2012

MINHA REDE E O MUNDO.




Deitado – insônia sob mim.
Deitado – olho o teto
Pensando... Que será de mim?
Sonhando... Já é bem cedo!

Pra ver sair. Lampejos.
Absorto invisível – que coisa pura!
Minha rede e seus punhos. Desejos.
Saio pra ver o mundo, deitado em fúria;

É o mundo. Visto e não vendo...
Sou um, convergindo deitado,
pensante, pensado, pesado – depois sento...
Vejo o teto e, o mundo pensado.

O corpo na rede, seu nó em punho,
e o punho da rede, o gancho e a parede,
o teto por céu. Eu, deitado no mundo;
Eu, pensante e pensado na rede.




Luis Sátiro 05 Mar. 2011 

AS BOLHAS NÃO TÊM PORTA.

Google
Sem referências à autoria.




Ainda persisto, caso pense...
Desistir requer coragem.
Na falta de existir semente
juntos frutos remanescentes.

Para se abrir ao todo,
melhor deixar existir sair
– O ciclo e a repetição.
Belos exemplos assistir.

Bolhas não têm porta,
para abrir, melhor estourar.
Mas, tocamos dentro, enquanto
levadas pelo vento ao tempo.

Não queremos deixá-la
fazemos parte desta
 – aquela, que se exploda;
que se desfaça, ao todo, toda!

Enquanto não, é a mais bela
entre todas que dança.
Observá-las no ar flutuar,
depois, estourar.


Luis Sátiro 29 Mar. 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

SALA DE LEITURA (ONDE ESTUDO).



 Eu leio em minha sala de leitura,
E estudo em minha sala de estudo...
Também durmo em minha sala onde és-tudo.
Pessoas passam em minha sala onde és-tudo...

Tantas coisas; muitos sonhos...
Muitos passam na sala de leitura.
Telefonam... Eu atendo...

Espero meu amor chegar à sala onde estudo.



Luis Sátiro em 
04 de Abril de 2011 
às 14h56min.


DE DIA.




... Ás mesmas horas cíclicas...
Qualquer sentido
eu aceito,
prometo até que vou mudar!
Qualquer que seja o processo
eu repito...


















Luis Sátiro
11 Out. 2011
às 13h32min.

LÚCIDO POR VOCÊ.





Muitos casais cobram isso...
Vejo, apenas, capricho nisso!
Quando não é bem isso...
Fazem “coisas” disso; e é bem isso.

Não sou louco por você!
Fazer disso, breve prazer...
E não ouças que tenho a dizer,
quando não o quero fazer!

Não sou louco por você,
porque sou lúcido por você!
Nada tenho mais... E a dizer...
Faço loucuras pra ti ter.

Caso não tenhas entendido...
Procuro, também, saber!
E, tento fazer desse acontecer,
extensão desse meu, nosso-ser!...



Luis Sátiro 15 de Abr. 2011.

MEDO.




Vai, depois volta...
Continua no tempo
E, até oculta espaços;
em outros termos:
De ser substituído
no trabalho,
de ser vítima
de assalto.
De ser reprovado,
de sair sem ser
notado...
De ir embora
e, não ser lembrado.


Luis Sátiro 11 Mar. 2012.

sábado, 17 de março de 2012

O CÁLIDO SOM DE SUA VOZ.





 Soa repentino sino através das ondas
até meu celular.
Corro e conecto ao ouvido ouvindo
sua bela voz.

... Querendo saber como vem sendo meu dia
ou, marcando e encontro, o beijo, o cheiro
do outro dia...

Apaixonadamente aquece, redundantemente,
meus sentidos respondem com a mesma
intensidade de um esmurrar contra a parede.

Soa tão bela canção a unidade,
sem deixar de ser de ambos
sentidos e corações que se afinam.



Luis Sátiro 14 Fev. 2012.

quarta-feira, 14 de março de 2012

NO DIA DA POESIA, HOMENAGEIO A PIXINGUINHA.



Por ter teu disco ouvido, e lido alguns escritos teus
JÁ TE DIGO que tu és CARINHOSO com teus sentimentos.

Adoro ouvir teu LAMENTO que, aparentas INGÊNUO!
E, que és dos maiores gênios da cultura
Deste pedaço de cá do mundo (!) [...]J


Luis Sátiro 14 Mar. 2012.

POEIRA ASCENDENTE (versus ácidos)





Como partículas reunidas no ar.
Perfaz-se a poeira de cores variantes,
ascendentes e descendentes de outros passos.

Como as rochas transmutam praias
ou, assoalhos marinhos...

Muitos podem cantar prosar a vida
Mas, poucos estão em descida
às profundezas de mais vidas [...]


Luis Sátiro 14 Mar. 2012.

TROCA


                                    Google imagens/Manuel Bandeira de Portinari

Quando leio teus poemas,
consigo ver-me através deles...

Talvez, um dia, consiga fazer
os outros ver-te através dos meus!


14 Mar. 2012.

MEDITARMUSLÓGOS.




Do mundo e o seu pedaço,
do pedaço ao todo...
É fácil falar de mim
mas, mais fácil ainda,
é falar dos outros!
E, o que poderia dizer de ti?
Talvez, caso fosses o mesmo,
para todo o sempre...
Mas, prefiro não produzir mais
verdades relativas sobre ti.
E, mesmo que me fosse permitido
conhecer de todo a ti,
ainda haveria algo novo a
descobrir [...]
Sambas com letras e melodias
de rock, são (re) feitos! [...]
– vulgar? – toda ventania,
também, desce ao chão
e, faz suspensas partículas!
Parece mesmo necessário
– Para ver um grão poeira
mudar-se, o todo haver mudado
sua textura ter.
A mesma forma, milimetricamente,
outros conteúdos [...]


Luis Sátiro 14, Mar. 2012.

TAÇA.



       
Taça vazia – taça cheia – taça vazia – taça cheia – taça vazia –
Taça cheia – taça vazia – taça cheia – taça vazia –
Taça vazia – taça cheia – taça vazia –
.....................................................
............................................
Taça cheia – taça vazia –
Taça vazia –
Taça cheia –
Ta
ça
c
h
e
i
a
-
v
a
z
i
a
taça
cheia – taça vazia –
taça vazia – taça cheia – taça vazia –
taça cheia – taça vazia – taça cheia – taça vazia ...
............................................................................................

domingo, 11 de março de 2012

ANOTAÇÕES PROSÍGUAS[1]



Por mais que se queira distinguir algo,
é sempre um diálogo entre o velho e o novo...
Qualquer que seja a natureza e o cansaço,
Não dá para ser mais que o necessário...

Pense [...] e já será algo novo pensando;
Procure e já será uma nova ação!
As nuanças, minúcias acontecendo...
Precisões acolhidas pelo momento.

Luis Sátiro: 01/02/12.







[1] NÃO HÁ SIGNIFICADO DISPONÍVEL EM DICIONÁRIOS [...] NÃO QUE EU SAIBA!

ROBÔ MINHA FELICIDADE.



  1.  

Por quantos artifícios possas crer...
Qualquer arte pode ver. Até besteiras,
Podem ser, quando pensa que carrega.
E, parece, apenas carregada ser.
Pende para machucar e, pensa
Novamente estar correta
E, até encontra algum apoio.
Mas, logo vê que, no automatismo
Das ações tuas, o indesejável
Não-é não-querer...
Apenas, não aceita, pois,
Não-está programada’isso.
Incomoda-te o incomum
A ti – não está programada’isso.
Preferes habituadas mensagens
Felizes – não está programada’isso.
E, mesmo que faça, quando mais velha,
O contrário – não, ainda, está
                                             Programada’isso.

Luis Sátiro 11 Mar. 2012.

sábado, 10 de março de 2012

AUTO-EXPERIÊNCIA DE VIDA.





Vestidos com roupa qualquer,
sem nada terem herdado,
um pai pedreiro e uma dona de casa mãe, tenho.
Quando criança apanhava por ter olhos claros
e, ser filho de uma mãe de pele negra.
O pai, mas é claro, tinha que dar um corretivo,
quando chegava à noite cansado.
No corpo que mudava, a experiência de ser
rejeitado e, às vezes, humilhado no meio
onde as pessoas ainda se formavam
para ser o que aparentavam.
Por ler, querer saber e explicar
a cor do céu azul, por muitos,
chamado cientista-maluco, fui.
Pego e apreendido por sentar nas calçadas
da vizinhança em horário impróprio
à crianças.
Pego e apreendido por riscar paredes com giz
de cera; depois com spray nas madrugadas.
Recebi, como prêmio, um prato nacara
o título de marginal e o respeito da malandragem.
Como tinha recebido o apelido de cientista-maluco,
contrariando todas as expectativas: passo no vestibular
com o mérito de ser o primeiro da rua onde era
o que aparentava [...]
Hoje respiro e como cores as menos desejadas
e cresço como homem que ama sua jornada.
Às vezes, acompanho uma ninfa e dois irmãos camaradas
que seguem seus rumos em parecidas jangadas.



Luis Sátiro 14 Fev. 2012.

AUSÊNCIA INCÔMODA.



Eu que nunca senti sua presença,
me incomoda sua ausência [...]
Preciso lhe dizer, mas, cadê...
onde é que pode ser?

Ta tudo igual, ta tudo muito igual
– por isso fico procurando prosiguar!
Todos é tudo anseios do lar querer
sair pra viajar, fugir pra outro lugar...

Todos esperam in-cômodos ver tudo
mudar pra depois alcançar a mu-dança
sem antes mudar-se do cômodo-demais,
da parte de dentro externar.

E, o mundo muda sem antes mudar-se!



Luis Sátiro 09 Fev. 2012.

sexta-feira, 9 de março de 2012

INSENSÍVEL SENSIBILIDADE.


Dois pares sentados num bar
e o horizonte desenhando no ar
nuvens cinzentas querendo festejar
 um mar de insônias com os olhos a flamejar

... Crianças doentes procurando alento.
Destrato no bar e a mágoa pressionando
seu peito inchado por tanto desprezo...
Coisas que acontecem a todo o momento.

Um morador da casa sem teto
pediu, com certo pesar, um pedaço
da razão global para seguir-se em movimento,
mas foi-lhe, naquele exato momento,
tirada qualquer possibilidade de tê-la.

Mais um pedaço sensível tornou-se oposto,
expressando-se em súbito movimento
– o qual ainda restava em seu peito...
Decidindo naquele instante não mais seguir
segundo a natureza da qual fora fruto.


12/1211

quinta-feira, 8 de março de 2012

PROSÁICOS PISOS TROPICAIS.



Belos precipícios para se jogar...
Mas, moro num certo lugar,
Até pouco, desconhecido
Onde há mais chapada, e alguns morros
Que outros tantos morfos.
Até, pouco envolvido
Em anseios verticais.
Onde estamos tão longe do céu,
Mas, tão perto do mar [...]
Mesmo tão longe do litoral,
Ao sul de onde ascendem
Os ventos do Equador.
Próximo de onde convergem
Tantos outros ventos.
Onde convergem águas
De origens que divergem.
Onde a carne seca ao sol
Com sal que salga salada
 /também.



Luis Sátiro 05 Mar. 2012 às 21h45min.

PELAS CORES QUE JÁ VI.




Pelas cores que já vi, desembarco-as...
sobre as pontes desta cidade são muitas
as mãos que acenam em adeus sua luz
por cima, entre as nuvens, pontos azuis [...]

Desta escrita que não apenas olhar
mas, qualquer sentimento causar;
repetindo, sentir o globo ocular...
E a tua sensação já é algo acolá!

Já vi algumas vezes no mar
as cores do sol aquecendo ar...
Respirando cores, comendo cores no ar
estive algum momento sobre(o) voar;

[...] não me imagino sem isso
e, mesmo que fosse cego, cores
eu pegaria com as mãos que sinto
e as cores, sentiria como odores
que entram sob os pés e saem
                                                  /sobre as têmporas.

Luis Sátiro 13 Fev. 2012. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

PARA MELHOR DIZER ALGO SOBRE NADA.




É canção, é melodia, são casos falados
e, na verdade, sois nada dentre muitos casos,
como algo dito por algum ninguém por acaso.
Saio daqui para não ouvir alguém calado...
Prefiro o som mórbido dos que reclamam,
mas, na verdade, nem reclamam, só querem
melhor sombra, frente tanta luz que os assombram.
Nada que não possa ser feito; nada que os convenham.
Mas é algo estranho (é tão abstrato!); não se sabe
e, não se conversa (nada sobre algo?); só procuram...
Quem sabe não diz, então, não se sabe; é de outrem;
vamos procurar saber, também dizer, (alguém sabe?)
Apenas cantamos desafinada melodia; não sabemos
que a fala torna-se fato, velozmente, no mundo que vemos
hoje, quando nada faz sentido, para si, para os outros.
Casos isolados de um mundo aberto; sem fronteiras...
E, o algo é sobre nada, o nada é sobre tudo, mas
o todo é tão abstrato que, nem mesmo surfistas
conseguiria surfar a onda deste mar sem praia;
Nada de água para quem quer despreocupado nadar.





Luis Sátiro em 18 Mai. 2011.
Em Teresina, em casa, bestando, falando sobre algo
que, na verdade, é nada quando comparado aos outros
casos...

O ESPAÇO E A MALANDRAGEM ATIVOS.




Moro na Vila da Paz. Tal-vez, todos em Teresina conheçam...
Certo dia – mantemos um barzinho em casa – estava eu
e meu irmão mais velho. Ele estudando e eu lendo – também...

Quando chega um certo moço:
– Tá chuvendo, queria um doze de algo, só tenho isso aqui!

Mostrando duas moedas de 25 centavos:
– sei que não dá uma dose, mais botaí!

Dizendo ele, tinha um dinheiro pra receber, mas não recebeu.
... Queria, também um cigarro, mas foi negado.
Já havia posto uma dose servida pra ele.

Quis jogar o-papo, mas disse:
– Olha aqui, amigo! Isso aqui, quem mantêm é meu pai, ou seja,
não é meu! Como posso dar o que não tenho?
Fez que entendeu e foi embora.

[...] papo por papo – vivo no mesmo lugar – também sei jogar! [...]



Luis Sátiro 28 Fev. 2012.

MUNDO PORNÔ.




Quem conhece o mundo pornô,
talvez, sabe o quanto o amor
pode ser falseado, ou,
                                     (para o horror de alguns)
tão ligeiramente possível...
gostes o quanto for:
nada substitui nesse mundo
                                                 a força de um gesto
Por mais artificioso que possa ser
– mundo pornô, mundo real.
                                                (quem ainda busca a verdade?)
Pois somos todos autores e atores de um mundo
                                                     que paira por entre as
                                   têmporas de um imaginar coletivo.

E as imagens perfilam tal espaço homônimo
paralelo ao cruzamento entre dois pontos,
que formam a realeza dos acontecimentos,
pela fina maioria dos enganos aceitos.

Luis Sátiro: visto e materializado
em Teresina
ao 04 Ago. 2011.