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terça-feira, 31 de janeiro de 2012


...

Carrego no queixo o cheiro da vila da paz
moro no terceiro bueiro à esquerda –
sentido qualquer.

Tento carregar a paz transmitida que
outra me trás.

Dito o intuito, algum sucesso reserva
na última manilha deste túnel [...]

Sigo pouco errante-mente o caminho
que a água faz suja em direção ao rio.


Luis Sátiro 14 Jan. 2012.

sábado, 28 de janeiro de 2012

ROMANCE E LUTA.




É A ÚNICA COISA EM QUE ME APEGO AGORA...
UM BREVE LAMPEJO DE MEMÓRIA...
MEU APEGO É TAMBÉM MEU DESESPERO...
TENHO COISAS A FAZER...
AS FACO...
PASSA
E SESSA...
O TEMPO É A MELHOR CONSTÂNCIA...
ESCRITO NUM PAPEL, NO CÉU, NA TERRA – TODAS AS EXISTÊNCIAS...
UM REGISTRO CONFUSO, ATÉ AQUI...
APRENDENDO ATRAVÉS DA REPETIÇÃO...
REPITO...
PASSA
E SESSA...
NOVAMENTE O INÍCIO...
OUTRO PROCESSO – CICLO...
OUTRO-MAIS-OUTRO-E-OUTROS...





Sexta feira 13 Jan. 2012.

O ARCO DA FUMAÇA (para Bandeira)





O cheiro – inalo o suficiente...
Meus dentes, num reflexo, dormentes.
/ Vê se deixa disso seu demente!

Os “amigos” – coisas inconstantes,
Vêm e passam, depois, vão embora...
Até voltam, pra roubar mais um instante!

Faz chão, quer dinheiro, e eu          quero uma estante,
Que com nenhum sucesso, permeia a mente,
Quer-se concreta, mas, apenas o suficiente...

Aquilo que embaça... Eterno enquanto passa,
Faz crer sentidos doutros – garganta magoada,
Cansada de tantas (grandes), noitadas.

O amor é a melhor das grandes noitadas!
Que melhor nos representa enquanto viventes,
E até que se descubra, somos puros inocentes...

O amor? Realmente, vem e nos embaça...
fumo, chama e depois fumaça!
Comparação bela e (meio) correta, hoje – o mundo passa...


Luis Sátiro em 23 Set. 2011.

sábado, 14 de janeiro de 2012

QUER QUEIRA, QUER NÃO [...]





Me assombra o fato desta cidade
passar-se de menina à vendida a esmo.

Suas ruas estão agora à circular
outros pés calçados com sapatos
coturnos e descalços...

Seus atos se escondem em seres
onipresentes que habitam céus
de concreto.

Sua vida agora é vida bandida-
mente institucionalizada por regras
direcionadas a uma geração ainda
porvir...

enquanto a negação marginal desta
reserva um inferior circuito
onde possa sobre-viver [...]

e nada que se faça a menos que
se destitua o ser de presença
ambulante-mente veremos quem sabe (?!)
um céu azul por onde possamos voar.


Luis Sátiro 14 Jan. 2012.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012


INANIDADE PROGRESSIVA. 
(Lamento nº 2)

Mais uma vez terei de exclamar!
Talvez, a única coisa que me resta...

Nesse instante momento, nos vejo:
Como é noite, descansando o dia...
Todos os dias – repetições de gestos –
Facas cortando carnes, guichês, arames
Prostrando sensações numa vida intersticial,
Natural até que se diga o contrário.
... Mas, vai tudo mais ou menos perfeito,
Funcional até o limite da razão intencional,
Perfeito em designe, conteúdo questionável;
Natural, até que se diga o contrário.

Mais outra vez terei de exclamar,
E é só isso que me resta no momento!

Bebendo, assistindo ao futebol pela TV paga,
Entorpecendo a alma para não perdê-la;
Aceitando as predileções para o futuro,
Já colonizado de antemão – é mais fácil.
Aceitando subir na esteira que caminhar
Com as próprias pernas – sim, é mais fácil!
Quem disse ser possível viajar no tempo
Não estava assim tão errado. Sim, viajamos!
Saltamos de um ponto ao outro,
Só não podemos desfazer erros.


Luis Sátiro em 31 Ago. 2011 em Teresina.

TERESINHA MODERNINHA.


         
          

Coisinha bela, desfila moderninha
Sapato novo dado pelo pai; sai de sainha
Comprada no shopping em reforma,
Frente ao antigo espaço de lazer beira rio

À noite compra, também, o lazer dos novos espaços
Levantados pelos curiosos empreendedores do dia
Aproveitando o que escorreu de oportunidade
Dentro da virtual menina desejada da cidade.

Teresinha continua seu passeio, compra isso,
Compra aquilo
Atrai sempre novos pretendentes à cidade
– Seu pai já pensa no dote, o quanto vai custar
E, claro, o quanto vai ganhar

Sempre investe em sua linda filha, hoje tem supermercados
Sempre surgem outros empreendimentos, mas Teresinha
[cresce.
 Seu pai não percebe: Teresinha
Já se entregou a outros, já foi tocada por muitos,
Não por quem realmente a pretende.

Teresinha que desfila moderninha
Não lembra, nem seu pai, que moderninha
Também passa, pode ficar também velinha, 
ultra-passada.

Luis Sátiro, Teresina: Vila da Paz em 25 de Jun. 2011.