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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

OUTRO ARCO DE FUMAÇA.





Enquanto escrevia
Outros versos inocentes,
Meus olhos não viam,
Eu preso às correntes...

O problema do vício
É a repetição ao infinito
Dos mesmos gestos
Finitos!

Fumar muito
É bem mais fácil
Que fumar pouco.
O fumo vem, a chama passa...

Amor – como queima!
Vem e embaça, tudo enseja.
Forma belos arcos de fumaça.
Chama, e, depois, fumaça...

Faz tudo quanto é jaça,
Depois, tudo quanto joça.
Cortando como fosse faca
Tudo que nos foi gosto e graça.




11 Out. 2013.

UM PRESENTE.



Se alcanço fundo em tua casca, ao ponto de te fazer incômodas cócegas;
É porque algo de muito errado, ou de muito certo, fiz com as tuas‘obras.

Algo pode ser bastante significativo para alguém; para outro, não passa de metáfora –
um presente sem uso, sem serventia alguma, estraga!







10 Ago. 2013.

FOLHAS SECAS.




Em primaveras secas,
Como esta que te aquece
A pele, as ruas acesas
Refletem o bafo quente
De um dragão metafórico.
De asas abertas,
Ele queima o ar –
Folhas secam,
Olhares ressecam,
Lábios racham,
Suor é derramado...
E o vento à noite
Até que refresca.
Varre as folhas
Pra bem longe
e, amanhã,
Tudo de novo...
Até que o trabalho
Do dragão
Esteja acabado [...]




25 Set. 2013.

INVASÃO DE AUSÊNCIA.




[...] não sou homem de posses
o quanto desejaria alguém;
não sou homem de posses
o quanto desejariam todos;
não sou homem de posses
o quanto desejaria meu amor;
não sou homem de posses
o quanto desejaria eu ser [...]
                                                                                            




05 Jan. 2013.

PALHAÇO.




Eu queria um dia ver
finalmente você
olhar meus olhos e, ver,
como eu olho e enxergo
teus olhos por fora
e tento enxergar [teu
coração.

Eu queria um dia ser
finalmente amigo teu,
poder tirar brincadeiras
e você notando atenta,
seus olhos me vendo por
fora tentando entender
como faço [você tanto rir.






05 Fev. 2013.

sábado, 12 de outubro de 2013

VIOLÊNCIA (IN)FORMA.





Sentado estava, frente o computador: [...]

Zoada de tiro.
Oito ou nove estampidos.
Um menino, no esgoto, caído.
Não estava morto,
Mas, ninguém podia mexê-lo.
Da multidão concentrada, alguém dizia:
– é filho de um pai morto!
– tem apenas quatorze anos!

Outro dizia:
– mais antes tivesse morto!
– vivo, já não faz falta, mesmo!

A polícia já no local,
[aquele alvoroço...
– ninguém pode tocar no menino!
[e ele no esgoto...
Chegam os repórteres e o SAMU não chega...
A multidão concentrada fala e ri –
De si, de todos, do menino,
Caído no esgoto,
Todo furado e doído,
Mas, ainda vivo...
O SAMU chega, recolhe o menino.
A multidão observa atenta
Os primeiros socorros...

Pairando no ar, aquela sensação – uma reflexão:
Tudo isso é tão banal na televisão,
Mas, terrível de ser visto ao vivo.

Aqui na Vila é assim:
A gente vê o muleque nascendo
O pai morrendo, a mãe abandonando
Avó criando...
O muleque crescendo
E a escola abandonando
A rua ensinando
Cedo bebendo
Cedo fumando
Homem precoce tornando...
Ferro empunhando
Vidas tirando
... a família já não mais agüentando...
O muleque continuando crescendo
Muito mais trabalho dando.

O muleque, com outros no bar, bebendo.
Um muleque-outro do carro descendo
Empunhando uma arma, atirando...
Os muleques correndo...
Estampidos de tiro soando...
O muleque no esgoto caindo
... o muleque-outro que tava atirando,
Com outros no carro, fugindo...
Multidão se formando
A polícia chegando
O muleque agonizando
A multidão crescendo
Os repórteres chegando...
O muleque ainda agonizando,
Mas, vivo continuando
O SAMU chegando;
– a política pública, como sempre, ruindo –
Os primeiros socorros realizando
Ao pronto socorro correndo
A morte chegando
O muleque morrendo...
O muleque está morto! – notícia chegando.
A roda girando –
Um ciclo terminando,
Outro, começando [...]






08 e 09 Out. 2013.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

POEMA ROMÂNTICO-AÇUCARADO.





Não sei exatamente o que sinto
Quanto estou ao teu lado...
Sagrada presença de lua que brilha
Ao refletir, à minha presença, luz tua.

É sua ária favorita – tão forte de espírito!
Parece que minha alma se resolve
Em tudo, e tudo está resolvido.

Da canção que soa teu hálito,
Ouço todas as notas
– Creio não ser inverossímil
O que digo do poder da música
Que soa desse ser mágico,
Que ousa me aparecer todos os dias.

E, como sabes fazer ouvir tantas vezes,
Justo nos momentos difíceis,
Então, respiro a liberdade despreocupada
De um ser que se sabe ser amado.






30 Set. 2013.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

CONTINHO FABULOSO Nº 3.



Numa dessas noites quentes qualquer,
a lua brilhava cheia, ao que parecia ser, Oeste.
Quando tudo estava calmo
e todos dormiam, podia-se ouvir
o ruído das partículas luz
chocarem suave a janela do quarto.

Pelas frestas, algumas poucas
atravessaram, clareando o quarto - escuro, 
ao ritmo desse passear da lua pelo céu.
Até que preencheram todo espaço.

Não houve outro jeito.
Quando abri a janela,
senti as partículas de luz
baterem em meu rosto
e em partes de meu corpo.

Aí sim, pude deitar e dormir;
sonhar o melhor dos sonhos –
sonhei que estava em meu quarto
e dormia numa cama feita de luz.




17 Set. 2013.

domingo, 8 de setembro de 2013

TRANSUMANTES.



[...] Ah, amigos!
Eu passeio por entre os “campos”
desta tal sociedade.
Ocupei uma série
de ocupações.
Já fui lanterneiro, soldador,
eletricista, ator – ainda quero ser ator –
poeta, estudante, professor...
Mas, não sou só eu, não!
O prefeito, o vereador,
o governador...
Os espaços a ocupar são sempre
[quase os mesmos.
Ainda brinco perguntando:
como isso é possível?!

Ora, herdamos as estruturas, e
só estamos de passagem.






13 Jun. 2013.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

SUAVIDADE




Algumas letras em meu quarto
e você na memória.
Um canto lento soa baixo
e me vem você, canção - toda.

Velho Mozart a distrair.
Desço baixo e nem sei
exatamente onde caí,
só sei onde estão as calças sujas
[que usei.






Luis Sátiro 11 Jul. 2013.

sábado, 10 de agosto de 2013

QUEM É?


Não pense saber quem eu sou.
Não penso saber quem é.
Algo em tua cabeça pode,
Então, dizer: talvez não seja ele bom.

– Veleidades, veleidades!
Nem tudo é poesia, estas imagens.
Quadros, quimeras, verdades –
Que quer que seja isso! – linguagens...

À toa; soltas;

Nada de tão sublime, aqui, qual pensa.
Não há do que fugir – deleite? –
Só palavras, como as outras.

O todo, amigo, que chamamos real,
Não é o mesmo para todos.
Claro, o mundo é um só, mas são todos
O mesmo mundo cristalizado em partes.

Sabe quando algo contrasta da multidão?
... não?
Ou quando, do céu estrelado,
Apenas uma estrela a ti brilha?
... não?
Talvez, seja por isso – tua melhor companhia; é a solidão?




09 Ago. 2013.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

ABSTRATOS ENTRE CONCRETOS.





A noite põe-se em movimento;
o dia caminha feito um camelo.
À tarde, figurinhas de nômades
atravessando desertos –
imagens e sentidos
entre concretos





18 Jun. 2013.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

PROGRESSÕES DE UM MUNDO ENTRE OUTROS.

Imagem de arquivo pessoal.



Da grota onde eu vivo, leio e vejo
Lanternas que clareiam enquanto
Formam sombras às costas dos donos
Das mãos que acenam...

Da grota onde habito, posso ver, e ler,
Os planos para mundo este e hão de o fazer
Melhor, como todos quase querem ver,
Pois, realmente ser, ninguém sabe fazer.

Prosiguamente – que quer que isso seja –
Falando, meio tamanha veleidade esta,
Posso trazer pra perto toda vontade que seja:
– Seguir em frente.

Na grota onde vivo e habito profuso e imenso,
Mergulhado em crise, reconstruo o habitar
Que tanto manejo desejado, a partir do já criado,
Esta massa plástica e educável faz surgir.




01 Jul. 2013.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

DELÍRIOS.

  
Que imagens expressas possam ser reprimidas;

Que as nuvens acesas pela luz do dia que nasce possam ser algodões dourados pelo sol da manhã.
– Tanto faz!

A poesia é a arte do delírio –
o delírio quando 
arte-escrita-versos
é poesia [...]
Explico:

... não, não explico!

Que queres saber?
Fermento inteiro
em bagaços;
estou sob escombros;
delírios [...]




Luis Sátiro 13 Jul. 2013.

A MAIS COMUM DAS VISÕES.




Não saio de casa feito
O gatuno desejado.
Com efeito, acabo
Por ser recompensado.

Sobre um fundo azul-céu,
Cintilam feito pedaços
De algodão cor de ouro,
Bem mais vivos que o próprio
Metal precioso...

Sobre esse fundo azul,
Brilham douradas nuvens
Queimadas pelo sol
Da manhã [...]




05 Jun. 2013.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

SEM O ABANDONO DA AMBIGUIDADE.




Em sentido reto,
Habito este lar
Que um deserto
De dunas móveis
Fez deste humano.

Em qualquer sentido,
Esta lenta maturação
Faz depender
Da família, da morada,
O habitar da vizinhança,
Implicando esta plasticidade;

Esta educabilidade
Que cresce desigualdade
Necessidade
E impulsiona adiante.


27 Mai. 2013.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

ECCE CORAÇÃO.

Imagem de Luis Sátiro.
In Paint




Eis o coração,
que de tão enganado,
não cuida mais saber
nenhum porquê
[imaginado.

Indignado, pobrezinho,
às vezes despreparado,
sai partindo em milhões
[de pedaços.

Sorte é claro, não
guardado em nenhum peito;

– Pois foi!... – Ti fiz agorinha,
quando te conheci desenhado,
batendo nova vida
[em papel branco.



14 Mai. 2013.

DEPOIMETO DE UM EX-MANASSÉS.





Conhecido eu sou...
Nas ruas – quando
não conseguia o do hotel,
por mais barato que fosse,
vivia mesmo ao relento [...]
Aqueço o chão com papelão –
já até briguei por papelão!
Conhecido eu sou...
Os tatuadores de BH
são perigosos,
mas, os engraxates...
Nem te conto –
faziam neguin chorar!
Já rodei dez capitais.
Já aqueci o chão com papelão.
Fui Manassés, tenho dois filhos.
Agora, vivo em THE.
Não saio mais pra manguear
por respeito a família
de minha mulher.
Mesmo THE sendo um inferno,
de quente,
lembro-me das noites quando
aquecia o chão com papelão [...]




17 Fev. 2013.