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sábado, 29 de setembro de 2012

SALVAÇÃO.



Tereza Costa Rêgo, acrílico sobre madeira, 2,2 x 1,6 m disponível em <http://artemazeh.blogspot.com.br/2012/03/uma-mulher-em-tres-nomes.html> acesso em 29 Set. 2012.



Direi a eles que tu deitada


de costas nua era a melhor


das visões já vistas.


Que tudo era melhor que nada


e, que a vida àquela época,


era a mais bem vivida,


possível, de todas as vidas.



29 Set. 2012.

sábado, 22 de setembro de 2012

DO SER-POETA AO NADA.

Foto: Google imagens.


(... nem tudo é poesia, quando
 não há, sequer, sentimento posto!)

À ausência de chuva,
arte ardida posta –
aturdido encontra-se
na falta que faz
tua própria presença
por considerar
a ausência
na tua presença
própria – ínfero.

– Por sentir assim,
cego, enxerga
o nada à presença
do todo!


18 Set. 2012.


A CADA HORA QUE PASSA


Foto: Luis Sátiro/Arquivos

Cada hora que passa
agente recebe-dando pedacinhos da gente.
Com a certeza de não ficarmos
sós,
partimos aos poucos e, entregamos tudo,
a cada hora que passa.
E, mesmo sem saber,
até nos momentos difíceis,
tiramos todo proveito que a vida tem
e recebe
da gente.



18 Set. 2012.

MINGUANTE PERFUME DE UMA NOITE.

  Foto: Google imagens


Ainda sinto aquele perfume
esfaquear suave as narinas;
numa noite fresca de um agosto
sem gosto e, muito seco, por sinal...
A lua encontra escondida
entre nuvens.

Um casal conversa e,
inicia de perto a madrugada,
com seus atos em tom casual;
– asseio, como o figurino manda...
Imerso em perfume estranho;
tão fino – e, eu só aceito! –
que me coça às entranhas...
E, percorro absorto,
em busca de sua origem.

No auge dessa busca,
deixo calmo descansar
as costas ao encosto
da cadeira madrugada adentro.
– E, até agora, o perfume
percorre a memória,
quase inodora, quando escrevo. 



06 Ago. 2012.

PLENO TORPOR.



                                        foto: Google imagens.

Meus olhos cansados
plenos de torpor
descansam devagarzinho
quando alcanço sua cor de olhos
desconfiados.
Enquanto olho amalgamado,
perfiladas visões oculares
me endireitam ao teu lado;
peço desculpas divagadas
e, logo depois, na mesma sina
busco deixar-te de novo
sem graça
quando jogo apaixonados olhos
de quem te enxerga a alma.



11 Set. 2012.
     

OS DIAS SEGUEM EM FRENTE.

                                                                                                Foto: Luis Sátiro

Eu mergulhei neste dia seco
E, cheio de avisos inócuos;
– em qualquer outro dia, o mormaço
/faria inabalável!

Mesmo assim, no fim deste,
as nuvens ensaiaram uma queda
e, o vento já carrega parte do calor...
e, a noite deixa dormir corações
cansados de outros dias, como este.

Agora, as nuvens, que dissipam,
Deixam a lua derramar sua luz;
Enquanto o vento sopra ao pé do ouvido
Uma canção: sobre o dia que passou.




 Escrito em: 29 Ago. 2012.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

NEGRUME.




Bem-vinda seja, toda ausência

Que sente dela, vontade de busca!

Bem-vinda seja, toda noite,

Quando faz os dias descansarem da luta!

Bem-vinda, ela, que traz na noite escura,

Toda sua sagrada luz de lua!

Bem-vinda seja escuridão,

Solidão e outras ausências!

Bem-vinda seja luz do sol,

Que incendeia dias/

Mais próximos do Equador linha...

Já que a sombra ausente externa

Fez escurecer meu dia!...

Na presença escaldante do tempo;

No calor de todos os dias [...]

sábado, 15 de setembro de 2012

COROGRAFIA DOS SENTIDOS




O mês é Agosto, – o vento
Seco atravessa o espaço...
A folhagem seca ao chão
Chamuscado.

Da janela, vejo nuvens de fumaça...
Meu quarto é invadido
Por fuligem, se aberta a deixo;

No horizonte – pouco distante –,
A queimada de sua origem,
Eu foco.

A luz do sol, atravessando
Tal nuvem, não deixou
O dia nublado. Porém, vermelho!

Agosto – inverno seco
Entre rios: – o reciclar da vida;
Como Outono atravessa Abril.

Meus olhos secam inerentes
Ao asseio deste lar;
Meus lábios racham inerentes
Ao chão da calçada...

Ambos expressam a vida como ela é,
Neste pedaço de mundo que muda,
Ao renascer das cinzas.
15 Ago. 2012.


FÚRIA ANTIQUADA.





O desejar sumir não quer dizer nada,
Quando se deve assumir o risco...
De ter de mudar para ter a noite melhorada,
Depois de um dia em que toda a canção foi um aviso.

Onde toda maneira de comunicar
É um pedido de socorro; que ninguém quer ouvir,
Mas, como tudo que necessário está,
Só pedimos de volta quando vemos partir [...]




27 Ago. 2012.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O FIM DO MEDO.

Que o mundo acabe, talvez,
por não trazer mais medo.
Que o mundo acabe, talvez,
por repetição de um mesmo ciclo.
Afinal...
- Quantos mundos já não tiveram seu fim?


Que o mundo acabe, talvez,
pôr fim a vida.
Que o fim do mundo, acabe,
talvez, pôr fim ao medo
                                      /do fim de tudo.


Que o fim do mundo, que dizem aproximar,
não seja mesmo, enfim, 
                                     /o fim de tudo!


29 Ago. 2012.

O MURMURAR DE TODOS OS SENTIDOS.


No quarto,
O céu está nublado,
– dá pra ver pela janela!
O cigarro está aceso,
O quarto desarrumado
E, o ventilador de teto;
Móveis velhos –
De um lado, bicicleta;
Do outro, computador.
E o mundo lá fora,
Quieto-adormecido –,
Respira em silêncio.
A luz está acesa,
O cigarro, agora, apagado;
O movimento
– teias de aranha no teto,
O balançar vicioso
Das pernas;
– Curto o silêncio
Da noite...
Em busca de alento,
Perseguindo o movimento.
Na estante, alguns projetos –,
Nada bem feito!
Frustração – e, é perfeito!
Encruzilhada de direcionamento,
Espírito envelhecido
/por momentos.
Um arco de fumaça se forma,
Depois de descoberto um segredo:
Alguns sentidos para vida, esta.
Agora que aprendeu a sofrer;
É quando chega ao fundo
E quer da superfície algo;
E, é quando chega às alturas;
Mostrar que lá não há nada
Além do que se pode mostrar.
Propósito – ninguém saia de casa
/sem um por perto!

No quarto, há vários objetos,
Ambiente sonâmbulo – quão sonha!
Corpo que vasa, transborda o corpo
/pós-sofá;
Agora há outros,
Que decoram a paisagem deste asseio...
Agora, é só ouvir curtindo o silêncio;
E, nada importa olvir,
Se olvir é necessário!
Só o ventilador;
Espanta o calor –
Ventila a dor,
Movimenta as teias,
Na cama, corpo inerte que passeia...
Divagarmente e, sem sentido;
Ouvindo o silêncio noturno...
Em busca de alento,
Perseguindo o movimento.

30 Mai. 2012.