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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

PAISAGEMOVIMENTO.




Ainda acordado sentado no sofá
da sala ao som de um rock antigo
o som ruidoso e estridente do kadron
de uma moto que passa e o som
dos cães que ladram com'edo de
de algum passante de cheiro
                                              /desconhecido...

Repouso as costas enquanto divago [...]

Imagens gravadas em alta definição
contrastam com a insigne sensação
de fazer parte daquela paisagem muda
que fala aos sentidos e mostram,
naquele instante, agora, a direção
onde me encontro inerte-em-movimento,
e me faço-ser neste mundo.



Luis Sátiro 05 Fev. 2012.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A TRISTEZA ACABA QUALQUER FELICIDADE!




Não parece tão óbvio
quando se vive
momentos assim...

Mas, óbvio 
enquanto palavras,
repetidas para você
ou para mim [...]
                                         


                                                           Luis Sátiro 17 Fev. 2012.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

COMEDOR DE CORES.





Das sensações que formam os dados disponíveis
a nós, eu prefiro comer cores...
Como todas as cores, das artes e seus odores
vou brincando com as peças que nos mantém sob a força
dos braços da percepção.
E vou-me indo, mesmo sem luz, iluminando a imaginação.
 – Quais cores vou comer amanhã?
Hoje, meu globo ocular está cheio
mas amanhã sentirei fome [...]
 Sairei para comer mais cores!




Luis Sátiro 15 ago. 2011

domingo, 12 de fevereiro de 2012

ADOLESCESTE ROMÂNTICO




Quando canso de olhar, desejar começo
sonhar em como seria se estivéssemos
conhecidos como seria meu mundinho
                                                          /melhor

Na falta de tua presença fisiológica
procuro pensar-te o mais físico
por entre minhas pernas
                                                         /possível.
                         

                                                     Luis Sátiro 09 Fev. 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM ÂNGELO VÂNDALO ICONOCLASTA CRIADOR DOS PRÓPRIOS SÍMBOLOS.




Elegi tú-mesmo pra falar de ti através
                                                                      /de todos! [...]
Tua voz soa como o movimento de um
                                                                      /temporal [...]
Ainda ages no espaço psicológico
                                                                      /atemporal [...]
Mas quer sair para andar do lado de fora
                                                                      /com os outros.
Cuspir palavras é um deleite
sem precedente par’este universo quas’íntimo.

Outro dia, encontrou-se com Norma Moralina,
velhamiga de muitos tempos.
Cumprimentou-a com acentuado prazer
                                                             /e conversaram sobre as coisas...
Foi quanto chegaram a um assunto político:
– Andaram noticiando que o governo desse pedaço
do mundo é muito corrupto, não foi?
– Norma respondeu – pois é, ando acompanhando!
Mas, você sabe que a Justiça é chega, lê em braile;
a lei é muda, fala através da Libra, incompreendida
pela maioria e, os poucos olvintes são surdos.

Não consigo entender mais isso, entende?
Entendo sim – conclui Norma.
Beijaram-se nas testas e seguiram cada um, seus caminhos...

Preste a completar vinte e seis voltas ao redor do universo,
ele olha cansado de vê-lo fazendo-se e refazendo-se
                                                                                               /incessante
e decide habitar o início dos confins deste para não-ser atingido
e, para viver na presença de sua ausência em outros mundos.



Luis Sátiro 04 Fev. 2012.

MOVIMENTO’AÇÃO.





Dos velhos espaços ontológicos
Às regiões dos “si próprios”
passando pelas paisagens dos seres mórbidos
redefinem-se e se transformam...

Sentimentos mudam, gerações levantam.
homens presos se soltam...
Acostumados a um cotidiano lento, agora flutuam
mais rápido, o culto e a cultura voam.

Passando, andando; vibrante, vibrando;
amando, gastando, vivendo o tempo
sentindo, olhando, fazendo o espaço;
convergindo, bebendo, vivendo mesmo...



                 Luis Sátiro, 07 Abr. 2011 às 21h24min.

DO ÂMAGO DE UM SER POETA AO SEU CORPO MAL VENDIDO.




Cada peça usada na montagem desta
foi um pedaço a menos do ser
foi ferida aberta em favor de alegoria esta
vinda do âmago confuso deste poeta;
este que vê pouca exatidão no dito exato
mas muita ordem no caos

Mas claro, estamos conscientes do que somos,
só não aceitamos que o outro possa ser
e, invejando quem assim o fez
– Para meu mestre eu diria:
“Quero apenas meu corpo emprestado,
no próximo dia útil eu devolvo”!

Serei escritor, quando eu for um,
coletivizando meu ego ou expondo algum
dos meus defeitos mais íntimos
para que todos também sintam, um a um,
seu vértice cristalizar junto ao tempo.
                                                               

                                                           


                                                   Luis Sátiro 12 Jul. 2011 às 02h47min.

O CERCO DOS ANSEIOS.






Cada projeto precede algum fracasso [...]
Mira direto no alvo ansioso pelo ato
quer tanto que objetives passos-dados
anseia por velocidade ensejo
esquecendo que só há tempo construto.
E por mais que se caminhe sozinho
quando não quer notar o-outro
nunca se chega ao seu fim só
por mais que tenha tudo entendido...
Passo-maior-que-a-perna-afoito
a-mente-prescinde-dos-detalhezinhos(sórdidos) [...]
Os uivos à noite prescrevem assombros
da volta ao estado de origem – ainda sonhos.
Os passos dados círculos
pés pisam chegados
ao mesmo ponto
onde parte.


Luis Sátiro 19 Jan. 2012.