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terça-feira, 31 de julho de 2012

SOLFEJO SOLITÁRIO.




Canto aprendiz de solitário –
No alto, como uma ave:
Espécie rara de canção.
Seu canto contrasta da paisagem,
Que, nesta rara ocasião,
Cala o comum dos cantos;
– deixa ouvir como nasce
Outra canção.



27 Jun. 2012.

JANELA VESPERTINA.

Luis Sátiro/Arquivos.

Acordo de frente o amanhecer

e observo o teto clareado.

Abro a janela e deixo entrar

a luz que derrama sobre nós;


– penso amanhecer, mas é a lua

que brilha, quase poente.


E, quando o sol começa precipitar,

o céu degradê é uma amálgama

de cores que convergem os astros.

E o verde dos musgos na parede,

são manchas alimentadas pelo orvalho.


– Meus olhos levantam pra tomar café,

enquanto o dia prepara o banquete.




19 Abr. 2012.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

SELF SERVICE POPULAR.



                                                                               

- Coma o quanto puder...
Mas, só tem direito
um sabor!
- Tem carne
mas, só um pedaço...
Frango ou carne de gado!
- Sente-te...
Quando desocupar
um espaço!

11 Mar. 2012

O MEDO DE SER SUBSTITUÍDO
24/11/11.

Enquanto o que se tem como homem, –
Puro instrumento; objeto de troca,
Regido por razões estranhas ao próprio,
Direcionada à qualquer outro homem, de ontem...

Impera em seus corações, ou
em qualquer outro lugar, onde possa estar,
grave medo. O mesmo observado
hoje, em escala bem maior, – em seu meio.

Ela era jovem, recém-ingressada na empresa.
Sua colega começa a pegar em seu pé:
– Imaginem só que aflição!...
Por medo do não-sucesso, perfaz-se a mão no lugar do pé.

Persegue-se para não sentir-se perseguido;
Um ciclo vicioso, a cobra engolindo o próprio rabo...
Sem saber para onde ir, gira em círculo,
Procurando ver além do que vê no momento.
Seguindo a trajetória imposta pelo todo,
No momento, perseguindo para não ser perseguido...

O medo de ser substituído
Por um modelo novo,
Recém-fabricado vivo,
Objeto possuído.

Como muitos outros,
Respeita a lógica do instrumento!
Vindo de onde saído,
O ser do ato não importa,
Importa a qualidade da quantidade e,
Seja quem for,
No inferno da funcionalidade.

COTIDIANO (carregado de geografia)





Estava eu deitado – de minha cama olhava o teto.
Sentindo o vento frio de uma noite que pesava.
Levantei, fui ao quintal... Vi o céu carregado.
Vai chover mais tarde!... Saí, mesmo com a cabeça pesada.

Fui ao bar, tomei algo e, logo voltei... Fiquei parado
no quintal o tempo observar – o vento sopra,
sacudindo a mangueira, à noite; o céu pesado.
Fiquei só, comigo somente, pensado e pensando.

Gente na sala – fui ao computador, algo passar...
Lembrando a sensação anterior – pus-me a prosear
e, logo, saiu o resultado descrito em tela, daquilo;
sentindo no vento; ouço agora um Cavalgada das Valquírias.

08 de Mai. 2011 às 23h08min.