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sábado, 10 de março de 2012

AUTO-EXPERIÊNCIA DE VIDA.





Vestidos com roupa qualquer,
sem nada terem herdado,
um pai pedreiro e uma dona de casa mãe, tenho.
Quando criança apanhava por ter olhos claros
e, ser filho de uma mãe de pele negra.
O pai, mas é claro, tinha que dar um corretivo,
quando chegava à noite cansado.
No corpo que mudava, a experiência de ser
rejeitado e, às vezes, humilhado no meio
onde as pessoas ainda se formavam
para ser o que aparentavam.
Por ler, querer saber e explicar
a cor do céu azul, por muitos,
chamado cientista-maluco, fui.
Pego e apreendido por sentar nas calçadas
da vizinhança em horário impróprio
à crianças.
Pego e apreendido por riscar paredes com giz
de cera; depois com spray nas madrugadas.
Recebi, como prêmio, um prato nacara
o título de marginal e o respeito da malandragem.
Como tinha recebido o apelido de cientista-maluco,
contrariando todas as expectativas: passo no vestibular
com o mérito de ser o primeiro da rua onde era
o que aparentava [...]
Hoje respiro e como cores as menos desejadas
e cresço como homem que ama sua jornada.
Às vezes, acompanho uma ninfa e dois irmãos camaradas
que seguem seus rumos em parecidas jangadas.



Luis Sátiro 14 Fev. 2012.

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