Vestidos
com roupa qualquer,
sem
nada terem herdado,
um
pai pedreiro e uma dona de casa mãe, tenho.
Quando
criança apanhava por ter olhos claros
e,
ser filho de uma mãe de pele negra.
O
pai, mas é claro, tinha que dar um corretivo,
quando
chegava à noite cansado.
No
corpo que mudava, a experiência de ser
rejeitado
e, às vezes, humilhado no meio
onde
as pessoas ainda se formavam
para
ser o que aparentavam.
Por
ler, querer saber e explicar
a
cor do céu azul, por muitos,
chamado
cientista-maluco, fui.
Pego
e apreendido por sentar nas calçadas
da
vizinhança em horário impróprio
à
crianças.
Pego
e apreendido por riscar paredes com giz
de
cera; depois com spray nas madrugadas.
Recebi,
como prêmio, um prato nacara
o
título de marginal e o respeito da malandragem.
Como
tinha recebido o apelido de cientista-maluco,
contrariando
todas as expectativas: passo no vestibular
com
o mérito de ser o primeiro da rua onde era
o
que aparentava [...]
Hoje
respiro e como cores as menos desejadas
e
cresço como homem que ama sua jornada.
Às
vezes, acompanho uma ninfa e dois irmãos camaradas
que
seguem seus rumos em parecidas jangadas.
Luis Sátiro 14 Fev. 2012.
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